No mês
que comemora o dia internacional da mulher - data que homenageia algumas
mulheres que foram mortas de forma cruel por exigirem um pouco de dignidade em
seu ambiente de trabalho – algumas campanhas publicitárias e sociais a favor
das mulheres foram sendo promovidas como ocorre todo ano nesta época.
Acompanhando
o ensejo, gostaria de falar um pouco sobre um grupo de mulheres que, muitas
vezes é esquecido pela sociedade e, infelizmente, pela própria família,
as
reeducandas do sistema penitenciário.
Em visitas ao presídio feminino da minha
região, através de trabalho social promovido pelo Núcleo de Prática Jurídica da
FANAP, do qual sou supervisora atualmente, nos deparamos com histórias
chocantes e também surpreendentes.
Histórias que nos ensinam sobre a vida e
sobre paradigmas de pensamentos que modificam-se devido a tanta informação nova
que nos é fornecida por aquelas mulheres que tem muita experiência para contar.
Como visitamos mulheres que já cumprem sentença condenatória, ali não tem
nenhuma “santinha”, não estão naquele lugar “à toa”, mas, apesar da dura
conduta que as levou ao cárcere, ainda são mulheres e, como todas nós, possuem
um forte instinto materno e se emocionam quando pensam em seus filhos,
principalmente.
Mulheres que já mataram, mas sofrem pelo abandono da família;
Mulheres
que atearam fogo em si mesmas depois de terem descoberto serem portadoras do vírus
HIV;
Mulheres de 20 anos, com carinha de criança, que, por uma paixão mal
resolvida, estão cumprindo o chamado “cadeião”, apelido dado por elas às
condenações com pena superior a 20 anos.
Mulheres que foram introduzidas no tráfico de drogas por seus próprios maridos, que já possuem outras mulheres e famílias aqui fora;
Mulheres que, ao mesmo tempo que querem sair logo da prisão, sofrem por só poderem estar por poucos meses com seus filhos recém-nascidos que ficarão com elas apenas em seus primeiros 6 (seis) meses de vida e, depois deste prazo, serão retirados de seu colo de mãe detenta e direcionados para familiares ou pais adotivos.
Mulheres que foram introduzidas no tráfico de drogas por seus próprios maridos, que já possuem outras mulheres e famílias aqui fora;
Mulheres que, ao mesmo tempo que querem sair logo da prisão, sofrem por só poderem estar por poucos meses com seus filhos recém-nascidos que ficarão com elas apenas em seus primeiros 6 (seis) meses de vida e, depois deste prazo, serão retirados de seu colo de mãe detenta e direcionados para familiares ou pais adotivos.
Ali elas se viram com sua carência afetiva e muitas passam a ter comportamento homossexual para fugir da
solidão; algumas se confundem com homens devido ao corte de cabelo e forma de
se vestir.
Outras foram agredidas por seus antigos companheiros e agora,
preferem uma companheira para passar seus dias enclausuradas.
Mulheres que
tiveram o brilho do olhar camuflado pelas profundas olheiras.
Talvez estejam
colhendo as sementes que plantaram, talvez não sejam dignas de viver em
sociedade ou são perigosas para conviver com a comunidade, mas não desistiram
de viver, ainda sonham com um amor, com uma família e em poder ir ao cinema um
dia assistir a um filme em cartaz. A beleza e sedução de Hollywood pode colorir
um pouco seus dias que não tem apenas 50 tons, mas todos os tons de cinza, que é
a cor que predomina na cadeia.
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